Implantar coleta seletiva no condomínio exige planejamento e organização

Prédios precisam adaptar rotinas e oferecer lixeiras adequadas para a separação dos resíduos

Fábio Munhoz

A implantação de coleta seletiva é uma solução ambientalmente correta para dar destinação aos resíduos sólidos gerados pelo condomínio. Porém, a implantação desse tipo de recurso requer planejamento e organização, já que altera a rotina do prédio e pode até demandar a readequação de áreas comuns.

Síndica profissional em cinco condomínios na região central de São Paulo, Betine Glina, 58 anos, relata que, antigamente, nos prédios em que ela administra, o lixo era mantido em lixeiras armazenadas nos andares. Uma vez por dia, um funcionário recolhia.

“Porém, como estávamos tirando o AVCB [Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros], tive que tirar as lixeiras dos andares, pois ficavam em rotas de fuga”, diz. Ao readaptar o sistema de coleta, Betine colocou as lixeiras nas garagens e passou a disponibilizar uma cesta para resíduos orgânicos e outra para recicláveis em geral.

“A empresa que faz a coleta orienta que não precisa separar por vidro, plástico, papel. Então, a gente coloca todos os recicláveis em um saco azul, que fica num contêiner separado, e eles levam”, diz. No caso dos prédios em que ela administra, a remoção é feita por uma companhia que presta serviços à prefeitura.

No começo, lembra a síndica, os moradores tinham resistência em separar resíduos. “As pessoas hoje estão muito mais conscientes de que o lixo tem que ser colocado no lugar certo”, avalia.

Apesar de não existir uma lei específica sobre o tema no estado, o advogado Alexandre Berthe afirma que, antes de a coleta seletiva ser implementada, o ideal é que o assunto seja deliberado e – aprovado – em assembleia.

“O condomínio tem que disponibilizar meios para que o morador cumpra essa norma, além de ter espaço para as lixeiras diversas para cada tipo de lixo.” Caso o condômino desrespeite as regras definidas para o descarte do lixo, poderá ser multado, de acordo com o regulamento.

Se o condomínio preferir, também poderá contratar uma empresa para fazer todo o trabalho de coleta seletiva, sem depender da prefeitura. “O primeiro passo é a visita técnica. Nós avaliamos os pontos de melhora e entrega os contêineres para lixo de acordo com o número de moradores. Em seguida, são feitos treinamentos para funcionários, moradores e empregados domésticos”, explica Alexandre Furlan Braz, que é fundador do Instituto Muda.

Ele considera como “mito” a ideia de que o condomínio poderá faturar vendendo diretamente o lixo descartável para catadores. “Primeiro, porque o valor é muito baixo. Segundo, porque vai ter que colocar um funcionário para separar o lixo e, por isso, terá de pagar adicional de insalubridade. O condomínio acha que está ganhando, mas está perdendo”, alerta.

No caso do Instituto Muda, Braz diz que o valor pago é de R$ 10 por apartamento. A colocação dos contêineres não tem custo para o condomínio em razão de parcerias da prestadora de serviço com empresas que patrocinam o projeto.

FONTE

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